Durante um ano inteiro esperei pelas férias, aquela coisa de voltar para casa, de ter tempo tudo o que quisesse, de não estar num estado de nervos daqueles típicos quando se esperam notas e de não ter o stress de uma apresentação no dia a seguir.
Acontece que elas chegaram (e não vou fazer uma festa por respeito a quem ainda espera por elas, por algo que tenha corrida menos bem ou pelo facto de ter uma malvado de um calendário escolar).
E conclusões?
Já não me lembrava, não me lembrava mesmo, desta sensação de ter tempo. Ter tempo para ver uma série numa tarde, para ler um livro ou para estar, simplesmente, a fazer zapping sem a preocupação de que há quinhentas e setenta e duas páginas de matéria para pôr em dia. Esta sensação de liberdade é tão boa, mas tão boa. Aaaaaii, sempre disse que o melhor das férias era ter tempo para fazer aquilo que não tínhamos oportunidade de concretizar durante o ano e, esta ideia, continua a ser bem verdade.
Mas com a chegada das férias também vem aquela sensação de que já não pertencemos à minha casa como pertencia há uma ano atrás. É certo que tudo continua a ser igualmente meu, que nada mudou e as taças dos cereais continuam exactamente no mesmo sítio. Mas as malas de viagem, que faço questão de esconder, não me deixam esquecer que só aqui estou de férias, quando eu gostava mesmo era de viver aqui. E não é propriamente de casa que eu tenho saudades, é de viver em casa que tenho saudades, de ter aulas e ao fim do dia voltar para cá, de ao fim de semana poder estar fora mas ao Domingo à noite estava sempre de volta, isso sim, é o que mais falta.
Como se isto não fosse chato já o suficiente, apercebo-me que, afinal, daqui em diante, será sempre assim. E a ideia de não ter um sítio, não ter um só sítio assusta, ainda para mais porque 'it's just the beginning'. Mas, como não vale a pena sofrer por antecipação (há anos que ando a tentar mentalizar-me disto) bora lá usufruir de uma maratona de desenhos animados.